sábado, 11 de abril de 2009

Desabafo 1 - porque é preciso.

Quase uma hora da manhã e cá estou eu, para falar novamente num post potencialmente gigante o qual talvez alguém leia. Mas vamos embarcar logo nessa viagem de angústias.
Eu sinto que preciso dizer para alguém coisas que me vão no intimo. Daquele tipo de coisa a qual praticamente ninguém entende - como disse recentemente, empatia é praticamente um pássaro dodô: completamente extinto.
Pra ser sincera a quantidade de coisa a fluir dentro de mim é imensamente proporcional às estrelas da via láctea. Sou um ser extremamente pensante. Tanto não obtive sucesso em qualquer tentativa de meditação. Chego a pensar que sofro de SPA - síndrome do pensamente acelerado. Na verdade, toda vez que aprendo sobre alguma síndrome destas me vejo completamente encaixada nela. O problema é ter tantos pensamentos angustiantes.
Sim, pois a consequência (escrever sem trema me dói) de ter o sofrimento como professor na escola da vida é amadurecer com a alma recheada de sequelas (ai! trema!).
Esclareço já: falar de sofrimento é falar do ser que sofre a ação, ou seja o sofredor. Independente deste sofrimento ser imaginário, real, infrigido por outra pessoa ou pelo próprio sofredor. Afinal, como humana, padeço desse mal de sofrer com coisas que só eu vejo e só eu sinto - aí acabam tentando me convencer de que a culpa de todo o sofrimento é essencialmente e exclusivamente minha (já aconteceu com você?).
Sinceramente é extremamente terrível carregar em si o sofrimento adicionado a culpa. Pior só o fato de inexistir seres humanos dotados de empatia para ao menos tentarem ver pelo mesmo ângulo que você.
Eu não gosto de ter 25 anos de idade e me sentir como uma adolescente no auge de sua rebeldia - entre 15 e 18 anos. Isso é óbvio, mas precisa ser dito agora. Antes de algum engraçadinho soltar um: você adora bancar a adolescente.
O auge da rebeldia geralmente vem acompanhado de intenso sofrimento, agente especial da vida para aulas de amadurecimento. Supracitei (ou supra-citei, alguém me dá um manual com essas regras!) as sequelas (ai, tremas!), fiéis companheiras de tal agente. São elas as histéricas e hemorrágicas responsáveis pela minha adolescência tardia. Fazem questão de lembrar velhas feridas, exteriorizar grandes traumas, salientar minhas doenças da alma.
É complicado chegar aos 25 com a sensação de que o tempo joga contra você. Não falo de rugas nem perda óssea ou cabelos brancos. Falo de planos. Muitos, inúmeros. Tecidos desde a mais tenra infância, no primeiro segundo que me reconheci como pessoa. É estranho perceber o quarto de século, notar que nada de tudo tão evidente em minha mente aos 15 anos simplesmente não aconteceu. Agora me sinto velha para bancar a mochileira, a louca, a iludida, enfrentar todos, seguir um rumo desvairado, irresponsável, arriscado. Velha para esse tipo de auto-descoberta.
Apenas 25. Porém quase 30, a fase programada para sossegar o coração e criar uma família. Deixar de morar sozinha (humpf! nunca alcancei) para morar com o futuro pai dos meus filhos após detalhadamente planejada cerimônia. E não a fase de mudar de cidade, tentar uma bolsa de estudos, morar com amigas loucas, ter uma vida desregrada, cometer atos insanos e memoráveis.
Ok. Tenho alguns atos memoráveis. Quando lembrar de algum, eu conto.
Voltando ao tema deste testamento que ninguém vai ler... Aos 25 deveria estar no final da pós-graduação, buscando um mestrado, trabalhando como jornalista, fazendo outra faculdade (se tivesse seguido o cronograma certo, ao terminar o segundo grau com 16 anos, deveria estar começando a terceira faculdade, mas a vida tem um cronograma próprio, bem diferente do meu). Deveria estar estável, ter um apartamento, viajar com meu marido em busca de novos horizontes e oportunidades.
Porém estou aqui, com a faculdade trancada faltando apenas a monografia para terminá-la. Incapaz de escolher um tema. Impotente diante do pânico de terminar a faculdade, nadar contra corrente, romper minha família (isso é uma história longa, conto outro dia), para morrer na praia. Ouvindo pessoas que poderiam estar me apoiando, me erguendo. Estão me pisando, me batendo cada vez que me perguntam porque eu não termino logo isso. Incapazes de verem as sequelas dos meus sofrimentos, cegos diante das minhas fobias e angustias. Inábeis na arte de elevar a auto-estima e a auto-confiança de um ser humanos.
Não, não são cruéis. São mal preparados. Não há quem os ensine a elogiar, a acalmar, a confortar. Cristo é de uma outra época. Na nossa época ser cristão é carregar um rótulo e se prender a dogmas e um extenso manual de regras escritas por outro homem. Não é aprender com Jesus a ser alento, abrigo, ninho.
Cá estou eu, desabafando meus medos, minha insegurança, minha impotência diante do futuro. Um futuro que me olha nos olhos e pergunta: o que você fará agora? Qual carreira seguirá? Por onde começará? O que você deseja? Quem você é?
Eu não sei. Nem o que, nem quando, nem onde, nem como, nem quem. E passei meses a fio buscando, procurando, descobrindo. Um mergulho em águas mais profundas que as do pacifico, mais turbulentas que as africanas, mais misteriosas que o próprio universo. Posto que mergulhei no meu universo e enxerguei milhões de eus.
Eus que escondo dentro de mim por serem tão múltiplos, tão distintos, tão desconectos, tão singulares. Tantas faces minhas, tão versáteis que já foram acusadas de volúveis, superficiais, manipuláveis. E mais feridas se fizeram nessas faces.
Dá medo ser tantas pessoas dentro de uma. Ser tão variável quanto o vento, o tempo, as ondas. Assusta diante de uma socidade incapaz de transmutar.
No final a viagem foi em vão. Permaneço no caos: desempregada, temerosa, insegura, desconfiada, vulnerável, paralisada. Tudo igual.
Acabei por aprender que a vida não é sobre achados e perdidos. Por isso não poderia me achar. Também não é uma questão simples de mistério e descoberta. Uma jornada de descobrimento seria infrutífera - e foi. A vida é sobre criação e destruição contínuas. Eu posso destruir e reconstruir a mim mesma quantas vezes meu espírito achar necessário. Até o dia em que me criar por inteira. No entanto continuar se destruindo e se recriando é o mais provável. Quem se constrói plenamente estaciona, e a vida tem sede de caos. Pois cada choque entre corpos celestes gera bilhões de estrelas. Raul sempre esteve certo. A vida gosta de quem é um casulo ambulante e pratica metamorfose constantemente.
Contudo, o viajante - eu - continuo me sentindo presa claustrofóbicamente. Como se fosse uma harpia e a gaiola fosse para ramster. Um anseio gigante por bater asas, e a impossibilidade completa de fazê-lo.
Olho cada pássaro voando no céu, uns que começaram tão frágeis. E me sinto terrivelmente mal em permanecer numa gaiola invisível, eu que era tão forte ao menos no mundo acadêmico, sem conseguir voar. Tornei-me menor sem desejar sê-lo.
Tantos são os elos invisíveis que me acorrentam... Será que algum dia chegará o meu momento?

Obrigada pela oportunidade de falar um pouco do ácido devorador de minha alma.
Elaine Nascimento - Uma sonhadora que muitas vezes tem pesadelos.

4 comentários:

GabrioLLeta disse...

Diante desse teu desabafo minhas palavras se tornam escassas. Só posso dizer que estou aqui e sempre estarei...
Se precisar conversar me liga, agente faz bijús pra distrair a cabeça um pouquinho!

TE AMO minha irmã ruiva!

Anônimo disse...

Não pense que pq vc não vê, as pessoas q te amam não estão perto de vc filhota.
Estou sempre aqui e minha casa aberta para minha ruiva preferida.


Bjos mil,

Ximu.

Maitreya disse...

Por vezes quando o futuro é incerto, sentimos claustrofobia do presente,sentimos presos ao passado. Mas é tudo passageiro, essas fases são apenas momentâneas, quando as coisas não acontecem como nós queremos é porque não estamos ainda preparados para elas, ou não estamos suficientemente certos desse futuro, ou seguros de nós próprios. Tem que haver confiança a 100 por cento, mas como somos humanos, nem sempre é assim. Que o futuro seja brilhante e promissor.

Claudio Téllez disse...

Bom... o primeiro passo é definir um ponto de partida. O segundo passo é manter o foco. O resto virá.
Bjs!
Claudio