sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Deixando sair...

Eu sou uma romântica incurável. As pessoas duvidam, devido a minha bem resolvida vida sexual ou as minhas ideias sobre a vida. Um fato não tem absolutamente nada a ver com o outro.

Continuo uma garota romântica, que chora em filmes do gênero e acredita em contos de fada. Eu mesma já alimentei dezenas deles na minha cabeça.

Aliás, na minha visão problemática, manter esse tipo de ilusão viva no coração é uma das coisas mais gostosas da vida.

E aí, eu preciso admitir, há séculos não respiro ilusão. Perdi as contas de quanto tempo faz que não me apaixono irrestritamente.

 Daquelas paixões inexplicadas, as quais começam absolutamente do nada, inesperadamente, como uma tempestade de verão que simplesmente fecha o tempo em 5 minutos, encharcando a terra por uma noite inteira.

Eu planejava casar com meu último namorado. Tínhamos um relacionamento lindo, baseado em muito carinho e admiração. Mas deixamos a vida desgastá-lo rapidamente. Talvez, provavelmente, na verdade, culpa minha. Sempre quero muito e para o mês passado.

Mas, que me perdoem a sinceridade todos os homens que habitaram meu coração, ninguém conseguiu provocar em mim tantas sensações, ilusões, fantasias, desejos, explosões (...) quanto quem nunca me tocou fisicamente. Nunca olhou dentro dos meus olhos. Nunca sentiu meu cheiro.

Pois é... Muitos "nunca". No entanto um sempre bem forte: sempre penso nele. De uma forma egoísta, sinto falta dos sentimentos que provocava. Falta do terremoto que era na minha alma. Principalmente, sinto falta da comoção.

Ele me comovia a tal ponto que era impossível não produzir. Então eu escrevia. Muito. Com qualidade. Não sobre dor, perda, mágoa, sofrimento. Eu redigia alegrias, felicidades, risadas, sorrisos, contrariando toda uma forma de pensamento sobre minha escrita.

Durante anos tentei escrever felicidade, sem sucesso. Podia transformar o ódio em um lindo poema. Porém o amor correspondido passava longe do papel. Até ele aparecer.

"Ainda sobre ele, Elaine?"

Sim. Porque preciso colocá-lo para fora. Sinceramente, necessito colocar todos para fora. Alguns saem espontaneamente. Este, minha alma prende. Sua expectativa é o surgimento de outro, com as mesmas habilidades românticas, mais sinceridade, mais proximidade, mais fantasias e mais realidade.

Até lá, de tempos em tempos, as ________ me perturbam um pouco. Minha mente retruca:

"Que babaca! Desperdiçou a chance de me ter presa em sua teia para o resto da vida!"

Minha alma escritora alivia: Fazer o que? Todos erram.

Um comentário:

Gabs Pires disse...

A melhor formar de aliviar aquele bolo de palavras presas na garganta é deixando sair... de uma certa forma " se expondo".

Admiro sua forma de expressão, sua sinceridade...

Beijos nama