terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

.: Frágil? :.

Por que todos se preocupam comigo? Todos querem me proteger de tudo e me confortar. Ninguém me pergunta se quero ser confortada. Não, eu não quero. Se quisesse não buscava a dor com tanto afinco. Não teria vindo para esse mundo iludido. Achas realmente que alguém com o mínimo de juízo e respeito a si mesmo se enfia nas ilusões de Maya? Quem entra aqui não vem com desejo de vitória... vem para saciar sua escuridão... para obscurecer ainda mais o obscuro!!! Aqui só pairam gárgulas, vampiros, lobisomens, criaturas que lutam pela manutenção de uma vida que não é vida... Aqui só criaturas que pensam estar despertas, mas continuam num sonho alucinógeno de Alice no País das Maravilhas. Jamais acordaram. E jamais acordarão. Não foi para isso que o mundo foi criado... Tantas controvércias em meio a frustrações!! O que pensam de mim? Que sou uma boneca de porcelana? Um frágil biscuit? Minha curta vida terrena esconde bem mais experiência que essas rugas em sua face, que essas festas tolas que colecionas. São poucos meus sorrisos nesse universo de cicatrizes que carrego ocultas sob meu doce olhar. Hahahaha!! Tolos!! Acham realmente que meus olhos são vitrais translúcidos? Acham mesmo que sou transparente? Jamais andaram realmente no chão do meu coração... Seus olhos jamais enxergaram o horizonte de meus céus... Não imaginam a cor púrpura de minha Lua. Idealizem sim!! Idealizem um ser marcante, indispensável, especial! Sou como todos os outros. Só descobri um escudo diferente. Uma fortaleza mais segura e menos óbvia. Não se aterrorizem. Sou uma 'desperta', lembram? Não penso em amor. No futuro. Em sucesso. Não penso no meu valor. Nada disso tenho. Não presto. Sou amarga. Sou escura. Sou fel. Mas, para que revelar isso? Não quero gárgulas a minha volta nessa torre sombria que eu chamo de vida. Não quero, tampouco, anjos de Luz tentando me iluminar o caminho. Se realmente quisesse um farol acenderia minha própria candeia. Se quiser olhar as chagas nas quais piso usaria minha lamparina. Para que? Para enxergar e provar o que já sei? O que já se vai no meu íntimo? Que esse barulho baixo como um sussurro, essa sensação fria de um brejo, um chão inundado, são sinais de um pântano de sangue vivo por onde sigo. Alimento para meu morto-vivo. O qual alimenta meu lobisomem. O qual afasta meu humanismo. O qual me desperta com seu grito. Queridos... amáveis... abram esses olhos! Não vou quebrar pois já nasci quebrada. Sou trincada e sempre serei... Esqueçam a minha dor, a minha ferida... esse é meu kharma: amar e sangrar o mesmo tanto a cada dia.
29/01/2005

2 comentários:

Sonhadora disse...

Tão doce é mentira que se perde ela mesma em verdades sussurradas. MAis doce ainda quando elas nos protege do mal maior que é a dor. Olhe ao seu redor e quantos se fingem de fortes e rudes, quando o que eles mais querem é que vejam a sua própria fragilidade. Cada um de nós temos uma forma diferente de gritar e nessa estranha forma alguns se fecham em sombra , projetam as suas lágrimas em uma busca de que outros chorem por si. Que não há como descobrir essa coisa chamada verdade, pois ela é em si uma falácia, que tenhamos, nós, o mínimo de bom senso em não machucarmos quem devíamos proteger quando essa verdade não nos agrada. Claro que temos situações mais escuras, mas ser tomado por ele não é idiotice maior do que fingir que a dor não existe. Ver essa escuridão em forma pelo mundo que nos cerca traduz algo que agarrou an nossa alma. Deixar que isso tome forma em atitudes um erro fatal. Não quero secar as tuas lágrimas, somente que saiba agir quando o mundo cair.

Zenólis

Sonhadora disse...

Quando vai entender, Zenolis, que meu mundo não cai? Querido, o Universo se expande... Eu me expando e não desmorono. Meu mundo não cai porque já caiu há muito. Minhas lágrimas não rolam porque secaram. Minhas chagas são eternas porque sou diabética e mesmo assim vivo rodeada de docinhos (tenho certeza ke entendeu o recadinho). Escute Engenheiros do Hawaii, querido: quando a parede e o teto caíram eu pensei que era o final, mas era só o começo de um problema, só um pesadelo normal. Não é só você quem tem muitas faces, por mais que sempre oculte as minhas com sorrisos e brincadeirinhas. Não morri com sua notícia porque já estou morta. Bem como não viveria se a notícia fosse contrária. O amor, a paixão e outros sentimentos não me afetam. Nem me destróem. Nem me arranham. Eu perdi a capacidade de sentir quando macularam minha pureza e me abandonaram de branco em pleno altar...

(29/01/05)