terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

.: A Solidão às vezes é um fardo pesado demais :.

Nada na vida é do jeito que queremos, quando coincide, é armação da vida, pra nos fornecer a falsa sensação de controle...

Tenho lágrimas embargadas, presas na garganta... Querem escorrer por minha face e denunciarem uma tristeza pungente que me domina... E tudo é tão pesado... A solidão é um grande e pesado fardo... E eu sou tão pequenina, tão minúscula... tão insignificante diante das estrelas que iluminam noites tão tenebrosas quanto lindas... Sou tão menor que o dia ensolarado de outono, com aquele Sol morno que se exibe lá fora... Muitos incômodos me servem de coroa de espinhos, e alfinetam-me a alma sofrida... A doença é tão forte que me dominou a mente, a qual jaz insana, em busca de um deleite que não me pertence... Meu coração sangra e grita... grita sua dor, grita seu amor... E eu só posso olhar... meus olhos podem atravessar os portais, e ver, como num espelho d'água, minha própria face ferida, castigada, ruída pelo tempo... enxergar as janelas de um mundo ao qual não pertenço, não me incluo, mas amo... e ali posso destoar, destonar, desfigurar... ali posso me quebrar, porque ninguém me vê... não há dom capaz de distinguir as gotas salgadas por onde me esvaio... Pelos portais passa a cada dia... Sorriso largo, olhar cintilante... transpira perfeição exatamente por ser imperfeito... e distribui simpatia... e me fere... porque eu daqui, translúcida, grito por ele... mas ele não pode me escutar... nem me notar... do outro lado do espelho anseio, desejo, quero, aspiro por algo a que amo mas não tenho... Não é meu... eu não tenho nada nem ninguém... eu não sou de ninguém... As vozes, muitas vozes, sonoras vozes, angelicais, me imploram para esperar... querem que eu tenha temperança... mas não tenho tempo... tempo de esperar ter os poderes necessários para fazer algo... no lugar de ver todos que adoto e amo padecendo na mesma vida que padeço... essa vida... esse inferno... essa preocupação constante... essa tristeza que me detona... sou obrigada a continuar respirando, raciocinando, sentindo, vivendo... vivendo com esse fantasma dentro de mim... esse sonho há muito podre... Tudo que posso, na insignificância a qual me resumo, é estender a mão e tocar o espelho que separa os mundos, as vontades, as paixões... e coninuar sozinha com meu fardo... e seguir o ritmo da minha desilusão... e ouvir as vozes das minhas frustrações...
04/05/06

Nenhum comentário: